Deformidades Flexurais

» Data: 14/06/2018

Introdução
 
As deformidades flexurais são afecções freqüentes na clínica de eqüinos. São conhecidas popularmente como contraturas tendíneas, embora esse não seja o termo mais apropriado, visto que os tendões apresentam pequena capacidade de contração e portanto seu músculo de origem torna-se o principal responsável pela patologia.
De forma geral, as deformidades flexurais podem ser definidas como incapacidade de extensão completa de uma ou mais articulações, o que resulta em um quadro de hiperflexão.
Afeta com mais freqüência os animais jovens, do nascimento até os dois anos de idade, fase em que o crescimento ocorre de forma mais rápida, mas animais mais velhos também podem ser afetados.
Existem duas condições encontradas rotineiramente na clinica, conhecidas popularmente por emboletamento e encastelamento.
O emboletamento é causado pela contratura do músculo flexor digital superficial, o que altera o eixo normal da articulação metacarpofalangeana, fazendo com que o boleto se projete para frente. Já o encastelamento é identificado pelo aumento da altura dos talões e desgaste excessivo das pinças dos cascos, sendo que nesse caso a articulação envolvida é a interfalangeana distal, e o músculo que apresenta a patologia é o flexor digital profundo.
Classificação
As deformidades flexurais podem ser classificadas como congênitas ou adquiridas. As congênitas são de origem multifatorial e ainda são pouco esclarecidas. Acredita-se que algumas doenças que acometam a égua prenha possam estar envolvidas, bem como a ingestão de substâncias teratogênicas durante a gestação, o que alteraria o desenvolvimento do feto e desencadearia a doença. Existem ainda hipóteses de que o mal posicionamento fetal durante a gestação, ou mesmo a redução do espaço intrauterino também possam vir a ser fatores desencadeantes.
As deformidades de origem adquirida desenvolvem-se após o parto e normalmente estão relacionadas a quadros de dor prolongada, o que resulta na retirada do membro do solo, ocorrendo por conseqüência a contração dos músculos flexores e posicionamento alterado das articulações. Outras causas comuns incluem fatores genéticos que induzem o crescimento mais rápido e os desequilíbrios alimentares. Tanto a alimentação em excesso quanto o uso de rações não balanceadas são possíveis causas destas alterações. Casqueamento e ferrageamento incorretos também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Diagnóstico
Apesar de simples, o diagnóstico deve ser feito por profissional capacitado, procurando descobrir a causa da deformidade, antes de se instalar o tratamento. O exame físico consiste na inspeção visual do animal em posição quadrupedal, palpação e manipulação da região envolvida e exame radiológico, o qual visa a avaliação da integridade óssea e articular.
Tratamento
Varia muito conforme a estrutura envolvida, bem como o grau da patologia. O tratamento conservativo deve ser tentado sempre que possível e consiste na utilização de talas, bandagens, exercício controlado, fisioterapia, casqueamento e ferrageamento corretivo, além da utilização de alguns fármacos, como oxitetraciclina,  antiinflamatórios e analgésicos.
Casos mais severos, ou aqueles que não responderam de forma positiva ao tratamento conservativo necessitam de correção cirúrgica.
As cirurgias são realizadas com o animal em decúbito, mediante anestesia geral, salvo pequenas exceções em que se possa realizar com o animal em pé. Consiste basicamente na secção ou corte de ligamentos ou tendões específicos para cada deformidade.

O prognóstico varia conforme o grau da patologia e a técnica cirúrgica escolhida. De qualquer forma, o índice de sucesso é sempre maior para os casos tratados mais precocemente.

 

 



Autor: Walnei M. Paccola e Allison Maldonado